Com a volta às aulas e o início do ano letivo, muitas mães ficam preocupadas com a saúde das crianças e com as chances de os pequenos contraírem alguma doença no ambiente escolar.
A pediatra do Frei Gabriel, Karina Colado Dib, classifica essa preocupação dos pais como algo natural e ressalta que alguns cuidados podem ser adotados para diminuir os riscos de a criança pegar alguma enfermidade. “Esse receio é algo bastante comum, mas os pais precisam compreender que ir à escola é um processo natural que vai trazer inúmeros benefícios para a criança, inclusive no fortalecimento do sistema imunológico dela. Por isso, o que a gente orienta os pais é que eles ensinem para criança a importância de sempre lavar as mãos, de evitar ficar colocando brinquedos e materiais escolares na boca, pois essas medidas ajudam a diminuir a incidência de doenças na infância”.
Dra. Karina enumera quais são as doenças mais comuns que a criança pode contrair no ambiente escolar. A maior parte das doenças são respiratórias e gastrointestinais. Por quê? As doenças respiratórias, como pneumonia, gripe, Covid, Influenza, elas são transmitidas pela fala, pelas gotículas. E as crianças muitas das vezes tossem no rosto do amiguinho ou passam a mão na secreção que está saindo do nariz e toca no amiguinho e então a doença vai se proliferando. O mesmo acontece com as doenças gastrointestinais, como o vômito e a diarreia, que também passam pelo contato”.
A pediatra ressalta que cuidados em casa podem garantir que o sistema imunológico da criança esteja mais preparado para enfrentar vírus e bactérias. “Os pais devem se preocupar muito com a qualidade do sono da criança, um sono sem barulhos, sem tela, para que ela durma de forma adequada. Quanto à alimentação evitar comidas industrializados e ter refeições com muitas frutas, verduras, legumes”.
Dra. Karina também enfatiza a importância de a criança estar com as vacinas em dia. “É essencial que a criança esteja com o calendário vacinal em dia, principalmente, se ela já está frequentando a escola. Felizmente, a maioria das mães têm plena consciência do quanto as vacinas são importantes para a saúde dos pequenos”.
Outra questão que os pais devem ficar atentos é sobre o peso da mochila da criança. “A gente sabe que algumas mães têm a falsa impressão de que quanto mais material a criança levar, mais ela vai estudar. Mas tem que se colocar o mínimo de peso possível na mochila da criança, apenas o material necessário para aquele dia. Inclusive, o ideal é que a criança tenha uma mochila de rodinhas, agora se a família não tem condições que a criança tenha uma mochila com arcos largos para que esse peso não sobrecarregue a coluna da criança”.
Também é na escola que os primeiros sinais de que a criança sofre de algum problema nos olhos podem aparecer. “Então, quando a criança volta da escola se queixando de cefaleia, que é a dor de cabeça, ânsia, o estômago fica embrulhado, ou ela está se queixando que ela tem que sentar na frente da lousa porque ela não está enxergando. Então, isso tudo são coisas que a mãe tem que prestar atenção e assim que a criança reclamar, estar procurando o profissional adequado para estar olhando essa parte oftalmológica”.
Por último, a pediatra fala da importância de os pais manterem um diálogo constante com a criança. “Tem que se preocupar com o que vai estar acontecendo dentro da escola. Então, sempre tem que olhar a criança quando retorna, se ela está machucada, se ela está chorosa, porque a criança pode estar sofrendo bullying ou algum outro problema. Por vezes, ao invés de conversar as pessoas ficam mais no celular e isso acontece também com as crianças, mas isso não é bom porque a tela é muita luz, são cores diferentes, é muito estímulo para a criança. E hoje em dia a gente já tem até muitos trabalhos falando do desenvolvimento do autismo nessas crianças. As mães muitas vezes acham que as crianças têm um comportamento de autismo e não é, é pelo excesso de tela, que não deve ser colocado para a criança até os dois anos de idade”, finaliza a médica.