O dia começa com perguntas que não têm resposta. “Será que hoje vai ser um dia leve?” “Ou meu corpo vai me trair no meio do caminho?” “Esse remédio tá segurando as pontas mesmo, ou é só esperança disfarçada?”
É uma dança entre fé e exaustão. Entre querer viver e ter que resistir.
E por trás do sorriso que a gente treina no espelho, existe um medo que ninguém vê.
Medo de desenvolver mais alguma coisa.
Medo de não conseguir fazer o simples do simples — ir ao mercado, sair de casa, trabalhar.
Medo de perder pedaços da vida enquanto tenta sobreviver a ela.
Crohn não tem cura. E isso não é poesia dramática, é realidade crua.
É uma batalha que não tira férias, que não respeita agenda, que não manda aviso prévio.
Uma luta silenciosa que não aparece nos exames emocionais de ninguém — mas pesa na alma como se fosse chumbo.
Mesmo assim, a gente segue. E segue bonito.
Um dia de cada vez.
Passo pequeno, mas firme.
Celebrando conquistas que o mundo acha “detalhes” — mas que pra nós são troféus de guerra.
Tem manhã que só de levantar da cama já é vitória. E ninguém mexe com essa vitória, porque ela é nossa.
Tem dor, tem dúvida, tem cansaço. Mas tem coragem também — uma coragem que não se compra, não se ensina, não se copia.
Ela nasce no meio da tempestade. Cresce no meio do caos. E vira força no peito de quem continua — mesmo quando tudo grita que já era.
No fim das contas, não é sobre ser invencível. É sobre não desistir.
É resistência. É sobrevivência. É vida — da forma mais honesta possível.
E se alguém procurar heróis…
Que olhe pra quem vive Crohn.
Porque aqui, todo dia, é dia de guerra.
E ainda assim, a gente sorri.
@hilariorosa









