Uma operação coordenada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), com apoio da Polícia Civil de Goiás (PCGO), resultou na deflagração da primeira fase da Operação DeepSWAP, voltada ao combate de uma organização criminosa especializada em crimes cibernéticos. O grupo é investigado por aplicar golpes eletrônicos em vítimas de diversos estados brasileiros, incluindo Minas Gerais, Goiás, Ceará e Mato Grosso.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Repressão a Fraudes de Frutal e apontam que a quadrilha atuava principalmente por meio do chamado “Golpe do WhatsApp”, da clonagem de linhas telefônicas na modalidade conhecida como “SIM Swap” e da oferta de falsos investimentos com promessas de altos rendimentos.
Segundo a Polícia Civil, foram expedidos pela Justiça oito mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão, cumpridos nos municípios de Goiânia e Jaraguá, em Goiás. Também foram autorizadas medidas de bloqueio de contas bancárias, sequestro de bens e indisponibilidade de valores ligados aos investigados.
Durante a operação realizada na quarta-feira (18), quatro suspeitos foram presos preventivamente em Goiânia. Além das prisões, os policiais apreenderam aparelhos celulares, veículos e outros dispositivos eletrônicos que poderão auxiliar na continuidade das investigações. Outros investigados permanecem foragidos.
Investigação começou após golpe contra defensor público
As apurações tiveram início após o registro de uma ocorrência envolvendo um defensor público que foi vítima de fraude eletrônica por meio da técnica conhecida como SIM Swap. Nessa modalidade criminosa, os golpistas conseguem transferir o número de telefone da vítima para outro chip, assumindo o controle de aplicativos e serviços vinculados ao aparelho.
De acordo com a investigação, após obterem acesso à linha telefônica e ao WhatsApp da vítima, os criminosos realizaram transações bancárias e compras não autorizadas utilizando o aplicativo da Caixa Econômica Federal. O prejuízo estimado nesse caso foi de aproximadamente R$ 70 mil.
Com o avanço das diligências, os investigadores identificaram que o caso fazia parte de uma estrutura criminosa mais ampla. Novas vítimas foram localizadas em cidades como Frutal, Araxá, Patos de Minas, Nanuque, Jaraguá, São Cristóvão e Jaciara, entre outras localidades ainda em processo de identificação.
Grupo movimentava centenas de contas bancárias
As investigações revelaram uma organização criminosa altamente estruturada, com grande capacidade de movimentação financeira. Apenas entre os oito investigados que tiveram a prisão preventiva decretada, a Polícia Civil identificou 226 contas bancárias e cerca de 250 chaves Pix utilizadas pelo grupo.
A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, medida considerada fundamental para aprofundar o rastreamento dos recursos obtidos com os golpes e identificar possíveis novos envolvidos.
No âmbito patrimonial, foi determinado o bloqueio de bens e valores que podem alcançar aproximadamente R$ 2 milhões. Até o momento, a polícia já identificou cerca de R$ 1 milhão em patrimônio vinculado aos investigados, incluindo imóveis e veículos.
Prejuízos podem ser ainda maiores
Embora os casos já identificados tenham causado prejuízos de quase R$ 170 mil às vítimas formalmente reconhecidas durante a investigação, a Polícia Civil acredita que o impacto financeiro da atuação da organização criminosa seja muito superior. A estimativa é que as perdas ultrapassem R$ 2 milhões em diversos estados brasileiros, valor que pode crescer à medida que novas vítimas forem identificadas e os dados bancários forem analisados.
Outro fato que chamou a atenção dos investigadores foi a localização de um dos suspeitos em Portugal. Diante da situação, a Polícia Civil solicitou ao Poder Judiciário a adoção das medidas necessárias para inclusão do investigado na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional utilizado para localização e prisão de pessoas procuradas pela Justiça.
Origem do nome da operação
Segundo a Polícia Civil, o nome “DeepSWAP” faz referência ao elevado grau de sofisticação tecnológica empregado pela organização e à principal modalidade de fraude identificada durante as investigações, o SIM Swap. O termo “Deep” remete à profundidade e complexidade das ações criminosas, enquanto “Swap” está relacionado à troca indevida de linhas telefônicas e identidades digitais utilizadas para acessar contas bancárias e aplicativos das vítimas.
A operação foi coordenada pelo delegado João Carlos Garcia Pietro Júnior, da Delegacia de Repressão a Fraudes de Frutal, e contou com a participação de policiais civis de Minas Gerais e Goiás. Ao todo, cerca de 56 policiais estiveram envolvidos na ação.










