Os dados divulgados com exclusividade pelo Frutal Atual, que retratam o peso do agronegócio na economia local, reforçam uma constatação cada vez mais evidente: Frutal é um município privilegiado. A pluralidade de culturas agrícolas cultivadas em nosso território garante solidez e sustentabilidade à economia, afastando de vez o temor que, há cerca de duas décadas, rondava a cidade com a chegada da cana-de-açúcar.
Lembro bem daquele período de incertezas. Como repórter de uma emissora de rádio, acompanhei uma comitiva de políticos e lideranças locais em uma viagem a uma cidade paulista, onde fomos conhecer de perto o funcionamento de uma usina de processamento de cana. Frutal teria, então, uma unidade “filial” dessa. Tudo vinha sendo articulado pelo então deputado Narcio Rodrigues. O clima era de curiosidade e desconfiança — afinal, tudo era novo. A missão daquele grupo era compreender e, sobretudo, desmistificar o assunto diante da população, que acompanhava atentamente as discussões na Câmara de Vereadores sobre a instalação da então Usina Frutal (hoje BP Bunge Bioenergia).
Durante a tramitação do projeto, ficou estabelecido que a empresa não poderia realizar queimadas a menos de cinco quilômetros do marco zero da cidade — uma medida preventiva, em um tempo em que ainda se fazia a queima do canavial para a colheita manual. Eram outros tempos, e as preocupações eram legítimas.
Hoje, olhando para trás, é possível afirmar que os receios de então não se confirmaram. O agronegócio frutalense amadureceu, se modernizou e, principalmente, diversificou-se. O município abriga atualmente duas usinas que produzem açúcar, etanol e bioenergia, mas sem perder a pluralidade de suas culturas. A cana-de-açúcar se integrou ao cenário produtivo sem eliminar o espaço de outras lavouras e atividades.
De acordo com dados recentes do IBGE, Frutal ocupa a 19ª colocação no ranking estadual de Valor Adicionado Bruto Agropecuário (VABA), registrando um volume estimado de R$ 413,7 milhões em produção. O número confirma o peso e a relevância do setor no contexto econômico regional e reforça a vocação agrícola do município.
A força do campo em Frutal está justamente na diversidade. Soja, milho, café, pecuária leiteira e de corte convivem em harmonia com o setor sucroenergético, formando uma base sólida para o desenvolvimento econômico. O resultado é uma economia rural robusta, capaz de enfrentar oscilações de mercado e manter o município em posição de destaque regional.
Frutal, enfim, aprendeu a lição do equilíbrio: crescer sem perder a essência, evoluir sem abrir mão da variedade que sempre sustentou seu progresso. E isso é motivo de orgulho para todos nós que acompanhamos essa transformação desde o início.









