Frutal finalmente rompe o ciclo da omissão

Há problemas que nascem pequenos, crescem silenciosamente e, quando percebemos, tornaram-se gigantes capazes de comprometer o presente e travar o futuro de uma cidade. Foi exatamente isso que aconteceu em Frutal ao longo de 24 anos de descuido, promessas vazias e compromissos assinados — mas nunca cumpridos — na área ambiental.

A assinatura do novo TAC com o Ministério Público de Minas Gerais, realizada nesta quinta-feira (11), representa muito mais do que um ato formal: simboliza o fim de uma dívida moral, administrativa e jurídica que Frutal carregava desde 2001. Não se trata apenas de um documento, mas de um acerto de contas com a própria história.

Por duas décadas, o município ignorou um acordo que deveria ter garantido a correta coleta e destinação dos resíduos. Ignorou também o impacto sobre o meio ambiente, a responsabilidade pública e, principalmente, a população. O resultado dessa negligência foi uma multa de R$ 12,5 milhões que poderia desfalcar de forma irreversível as contas do município.

É preciso reconhecer: o atual governo fez o que precisava ser feito — e o que deveria ter sido feito muito antes. Por meio de diálogo, técnica e disposição para enfrentar um problema complexo, conseguiu transformar uma punição milionária em investimentos para o próprio município. Uma reversão rara, difícil e que só ocorre quando há consistência administrativa e credibilidade institucional.

Mas o Frutal Atual também precisa fazer um alerta. Frutal não pode continuar sendo vítima do seu passado. O ciclo de procrastinação administrativa precisa acabar. A cidade já pagou caro demais pelas escolhas — ou pela falta delas — de gestões anteriores. O novo TAC é um marco, mas também um recado: não há mais espaço para empurrar problemas com a barriga.

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